Mestremundo

A CIA. MESTREMUNDO DE HISTÓRIAS que também tem seu pé no audiovisual com o  COLETIVO MESTREMUNDO DE CINEMA é um dos 10 ocupantes dos ateliês no Amarelinho da Luz, no texto que segue o dramaturgo e roteirista Ruy Jobim Neto fala um pouco desse histórico de trabalhos e iniciativas da Cia.

Um histórico –

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CIA. MESTREMUNDO DE HISTÓRIAS, fundada em junho de 2007, iniciou suas atividades com dois eventos teatrais durante o Corredor Literário na Paulista, em outubro do mesmo ano, enquanto estava sendo ensaiada a peça “DO CLAUSTRO”, de Ruy Jobim Neto, que estreou em janeiro de 2008, no Espaço dos Satyros 1. A peça, laureada pelo Prêmio Usiminas/Sinparc 2013 de Melhor Texto de Teatro Adulto, em Belo Horizonte, teve sua primeira montagem dirigida por Eduardo Sofiati, com Débora Aoni e Carolina Mesquita, e percorreu o Festival de Curitiba de 2008, cumprindo também temporada no Rio de janeiro, em abril do mesmo ano. Em dezembro, o autor Ruy Jobim Neto ganha o Prêmio Estímulo 2008 de Novos Textos de Dramaturgia para Teatro para escrever a peça teatral “LOURENÇO”, concedido pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Em fevereiro de 2009, a montagem do infantil “BEM LONGE DA TRAÇALÂNDIA”, sob direção de Claudio Cabrera, com as atrizes Aline Carcellé e Luana Nunes no elenco, chegava aos palcos do Teatro Coletivo, em São Paulo, tendo percorrido várias temporadas desde a estréia. Uma versão pessoal de “DO CLAUSTRO” pelo diretor Filipe Peña foi levada ao palco do SESC Consolação, em São Paulo, em junho de 2010, tendo no elenco as atrizes Luana Nunes e Nataly Cavalcanti. Ainda em 2010, foi fundado o braço audiovisual da Cia., chamado COLETIVO MESTREMUNDO DE CINEMA, de onde saíram filmes como “HORÁRIO DE MEU VERÃO” (2010), “HYPPÓLITA” (2011), “O DIA D E. J. CARVALHO” (2012) e, mais recentemente, “LEGENDAS”, “ALGUÉM PARA CONVERSAR CONTIGO QUANDO ANOITECER” e “OS BARCOS DA TERRA”, todos de 2013. Em junho de 2013, a Mestremundo ganha a sua sede, numa sala alugada na Ocupação Cultural do Amarelinho da Luz e já possui projetos novos tanto em teatro como em cinema para o local.

São componentes da Cia. Mestremundo e do Coletivo Mestremundo o premiado Claudio Cabrera e Filipe Peña, ambos diretores teatrais e atores, as atrizes Aline Carcellé e Luana Nunes e o autor teatral e roteirista Ruy Jobim Neto.

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A imagem do texto é um frame do filme “OS BARCOS DA TERRA”, de 2013. Em cena, a atriz Priscila Abranches. direção de fotografia e câmera: Tony Ciambra. Roteiro e direção: Ruy Jobim Neto.

texto: Ruy Jobim Neto.

revisão:  Poliana H.

foto/frame: Tony Ciambra

 

contato: amarelinhodaluz@gmail.com

http://www.mestremundo.blogspot.com.br/

De portas abertas!

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Elogio à ocupação

 

A Ocupação Cultural Amarelinho da Luz surgiu em 2013 através da convocação do diretor da Cia Pessoal do Faroeste, Paulo Faria, a grupos que se mostrassem interessados em compartilhar um espaço de trabalho artístico e cultural na região da Luz, área histórica de São Paulo que há algumas décadas vem sendo socialmente “higienizada” através de resoluções legais as quais operam em favor de um modelo excludente de crescimento da cidade, beneficiando as elites e as instâncias privadas.

 

 A revitalização, ideia essa que encobre as verdadeiras facetas do processo higienista e de gentrificação na Luz, não prioriza e nem legitima a relação política entre os moradores e os expedientes históricos da região, A cultura da ocupação diz respeito a práticas de caráter substancialmente político. São diversos os exemplos de ocupações na cidade de São Paulo cuja finalidade é exigir do poder público condições mínimas de moradia e de deslocamento pelos eixos urbanos. O direito à cidade se dá, portanto, através de ações radicalizadas como essas que cada vez mais têm revelado na paisagem urbana fronts de organização social de famílias e indivíduos, precarizados pelo Estado, que não se cansam de lutar.

 

Atribuir novos e diferentes significados ao contexto social é um dos pressupostos das ações políticas e também da arte. Associar discursos de caráter social às práticas da cultura é de suma importância em nosso tempo, pois, através da configuração de uma interpretação simbólica sobre o meio, é possível problematiza-lo e transformá-lo.

 

Nesse sentido a Ocupação Cultural Amarelinho da Luz aponta para uma construção de eventos, experiências e objetos de apreciação simbólica a partir da organização e administração coletiva de um histórico edifício no cruzamento da rua General Osório com a rua do Triunfo. Com dez ateliês, sede dos grupos ocupantes divididos entre os seguimentos de teatro e cinema, e uma sala de ensaio comunitária, o espaço do prédio se redesenha como mais um ponto em São Paulo de articulação e irradiação de ações públicas, político-culturais, para com a comunidade do entorno e suas especificidades sociais. 

 

texto: Paloma Amorim.

revisão: Poliana H.

foto: Ruy Jobim Neto.